quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Em dois Canários

A noite nunca havia sido tão escura,
Em silêncio aguardo o sono que parece esperar o dia amanhecer,
Manhã que não acorda em mim.
Antes as lembranças eram mudas, cegas e surdas,
Hoje brincam num parque onde eu não posso brincar.
Sinto a razão indo embora,
Sinto ter perdido meu tênis e meus cabelos longos,
Não mais me pertencem.
O que me dói não é estares do outro lado da rua,
O que me dói é te agarrar enquanto te puxas.
É a tua saída daqui que me anoitece mais.
Por entre o dia vem sempre um vazio sem jeito.

Porque a tristeza hoje é assim:
Banco de frente ao mar sem eu e você nem ninguém,
Azul pintado de cinza, chuva para depois,
Ventos que não levam nada.

Paulo Reis

Nenhum comentário:

Postar um comentário