quarta-feira, 8 de julho de 2009

No Mundo

É preciso coragem para se perder
E ver perdido nosso alguém é preciso também.
E a volta,
Que é uma escolha,
Tem o sabor de um presente na infância.
Ai mais nada é preciso.

Paulo Reis

Por onde a gente vai

Às vezes, quando minhas janelas se abrem,
E vou espiar a vida lá fora,
Ela é tudo que meus olhos podem alcançar.

Quando esqueço o pesar dos muros,
No outro lado, é ela que esta lá,
Contida em tudo que posso sentir.

Quando eu me for,
Além eu sei,
Seremos paisagem
Ela e eu.

Paulo Reis

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Ao Redor do Sol


Nascem e renascem e não vêem a flor.
Os homens cegos, medrosos de luz.
Os homens e suas enfermidades, desgostosos de sol.
Quem anseia o Sol, quem anseia a chuva?
Lobos têm olhos para flores?
Quem tem a febre de ser o que é?

Paulo Reis

Por além (Contos Rápidos)

Ela:Lembrei de você...Talvez assim você conseguisse atravessar minha existência e ver por meus olhos... Consigo ver pelos seus...

Ele:Nos cruzamos em algum lugar entre a tua lembrança, o teu olhar e tua vontade de me ver enxergar pelos teus olhos. O resto linda, são ruídos...

Paulo Reis

Açucena

Aurora do meu íntimo,
Quem não viu tua fundura?

Paulo Reis

terça-feira, 7 de abril de 2009

As coisas do Caminho


Faltava-me o ar do amor que sentia.
Ela era navegar,
Eu com gosto de sol pelas coisas no caminho.
Olhava o azul do céu como quem sonha com ele,
para desanuviar enfim.
Lá um peixe mergulhou em si,
Vagando lentamente para outros vejos além do meu.
Fui até cair com a noite,
Onde tive com as estrelas,
O que as abelhas têm com as flores.
Até os confins do meu mundo,
Onde pesco dias assim.

Paulo Reis

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A Janela do Quarto de Dormir


Eu, sempre que passo por ali,
Indo ou voltando pelo corredor,
Sou levado por mim mesmo a adentrar,
E ver se tu não estás à luz da janela.

Os grampos que seguram coisas de fazer noites de estrelas,
O perfume,
As flores no alto da vidraça,
Tudo parece continuar a ser.

Dois lances de escada,
E lá em cima, noite e dia elas estão abertas,
E é o vento que circula o íntimo que procuro,
Afora Selene .

Enquanto tu cultivas o silêncio,
Eu, da janela do quarto de dormir,
Em silêncio lembro de ti.

Paulo Reis

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Mundo e as Mãos


O que sabemos eu e tu sobre a noite,
Que é escura enquanto fingimos dormir?

O que sabemos tu e eu do dia,
Se fechamos os olhos toda vez que o sol brilha?

O que sabemos nós da felicidade,
Se entristecemos toda vez que aurora bate a porta

O que queremos da vida?

Eles não, fingem enquanto andam,
E vivem enquanto dormem.

A vida passa em frente às varandas e janelas
E apenas uma vez eu a vi andar descalça.

E há tempo eu não lembrava como era mover o mundo com as mãos.
E abrimos os olhos pela segunda vez.

Paulo Reis

Despedidas



Impossível atravessar a vida
A ponte
A rua

Levantar o pó

Enfrentar o inverno,
Sem pensar que você ainda virá.

Paulo Reis