quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A Janela do Quarto de Dormir


Eu, sempre que passo por ali,
Indo ou voltando pelo corredor,
Sou levado por mim mesmo a adentrar,
E ver se tu não estás à luz da janela.

Os grampos que seguram coisas de fazer noites de estrelas,
O perfume,
As flores no alto da vidraça,
Tudo parece continuar a ser.

Dois lances de escada,
E lá em cima, noite e dia elas estão abertas,
E é o vento que circula o íntimo que procuro,
Afora Selene .

Enquanto tu cultivas o silêncio,
Eu, da janela do quarto de dormir,
Em silêncio lembro de ti.

Paulo Reis

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Mundo e as Mãos


O que sabemos eu e tu sobre a noite,
Que é escura enquanto fingimos dormir?

O que sabemos tu e eu do dia,
Se fechamos os olhos toda vez que o sol brilha?

O que sabemos nós da felicidade,
Se entristecemos toda vez que aurora bate a porta

O que queremos da vida?

Eles não, fingem enquanto andam,
E vivem enquanto dormem.

A vida passa em frente às varandas e janelas
E apenas uma vez eu a vi andar descalça.

E há tempo eu não lembrava como era mover o mundo com as mãos.
E abrimos os olhos pela segunda vez.

Paulo Reis

Despedidas



Impossível atravessar a vida
A ponte
A rua

Levantar o pó

Enfrentar o inverno,
Sem pensar que você ainda virá.

Paulo Reis